Achei  esse  texto  sobre a polularização  do  Ipod muito  legal http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=3033

 You Tube Bloqueado  devido à ação  favorecendo  Daniela Cicarelli

Publiquei  esse post no  site http://www.boicoteacicarelli.com e o  reproduzo  aqui. Convido  a todos entrarem  no  site e apoiarem o  boicote.

Cicarelli merece uma ação pública, mais que boicote, por se expôr a esse absurdo de ser flagrada na praia: Uma pessoa pública, apresentadora e ícone de milhares de crianças e adolescentes no Brasil, deveria ter mais responsabilidade no que se permite fazer em público. Merecia não só perder o emprego na MTV como de todos os outros anunciantes que deveriam preservar sua imagem contra essa pessoa sem o menor senso de discernimento dos seus atos. Lugar de fazer sexo é qualquer um, menos em uma praia cheia de gente e crianças e ao alcance de qualquer pessoa com uma simples câmera caseira.
E esse juiz deveria ser processado por ter dado um ganho de causa a uma irrsponsável dessas e assim privar um país inteiro de acessar uma fonte inesgotável de boa informação, livre dos conhecidos controles da mídia ao público: o You Tube. Um site totalmente democrático, onde a informação circula sem censura e ganha poder e repecurssão no boca-a-boca, sem influência dos gigantes da comunicação de massa. Isso está me cheirando a abuso de poder e conchavo da mídia brasileira para tentar minimizar os efeitos e poder devastadores do Youtube, que tem tudo para se tornar o maior veículo de comunicação de massa do século. Ou seja, esse buraco é muuuuito mais embaixo do que a genitália da Cicarelli. Abaixo a censura. Abaixo a opressão dos detentores da informação. Abre o olho Brasil ,esse filme não acaba nunca ?!

Image:Logo tagline sm.gif ????!!!!

Coisas que só  acontecem  na Louisiana

Outro dia estávamos  em  um ônibus indo ao Mall  de  Louisiana e encontramos um  colega brasileiro  que estava indo  ao supermercado. Conversa vai  conversa vem, o  cara, que não  tinha muita idéia   do  caminho,  acabou passando do  ponto  onde deveria descer. Ele foi  conferir com  a  motorista (lá é super comum  mulheres dirigirem  ônibus) e realmente tinha se equivocado.  Sem  saber  que fazer,  ele foi tranqüilizado  pela gentil  condutora do  veículo,  que simplesmente  ligou  do  celular para o  motorista do  ônibus que vinha vindo  em  sentido  contrário  e quando  os  dois  veículos se encontraram,  nosos  amigo desceu  do  ônibus e pegou o  outro para voltar ao  supermercado. Também  mais de uma vez o Rafael chegou  ao  ponto  e  o  ônibus,  que havia chegado  minutos antes do  horário  marcado,  estava lá parado,  esperando  por ele. Esse é  o  jeito  cool  de ser dos  trabalhadores da Louisiana. Parece cidadezinha do  interior do  Ceará...

Este é exatamente o ônibus da linha que pegamos,  que passa dentro  da LSU e vai  até  o  Mall of Louisiana.  Essa pilastra atrás é um  dos portais  da universidade

Coisas bonitas (e  surpreendentes!) que os americanos  fazem

Não é só  de esquisitice  que vive o  povo  dessa terra. Volta e meia algo  surpreendente acontece e vemos que  pessoas bacanas  exixtem  em qualquer  lugar do  mundo. Apesar  da primavera  já ter acabado  faz tempo, queria contar um pouco  do  que acontece por aqui  nessa época do  ano. Não  sei  como  é no resto  do  país,  mas aqui  no  sul  acontecem vários  festivais : De música,  gastronomia,  artes,  flores, etc. Tivemos  a  oportunidade de ir  em  um  festival  chamado Fest for All, aqui  em Baton Rouge mesmo. Esse foi  um  festival  dedicado  à artes e  música. Tinha uns  5 palcos tocando estilos  diferentes : Jazz, Blues (nascido  nessa  cidade,  segundo  a lenda), Cajun  e  Zydeco (dois  estilos típicos da  Louisiana), baladas e Rock'n'roll, claro. E o  que  me surpreendeu  foi  uma  exposição  de  barracas  mostrando  o  mais puro  artesanato  que  se faz nesse país, de norte a  sul. Havia  barracas  representando  quase todos os  estados, com  os  mais  variados  produtos  à venda,  desde bijuteria  até cerâmica,  passando  por   roupas,  quadros,  comida,  decoração, brinquedos, tudo  que  se pode fazer artesanalmente. Eu, que achava  que tudo  nesse país era  Made  in China , fiquei  abismada. Me senti  naquelas  feirinhas  de bairro  de São Paulo,  como a da Pompéia e da Vila Mariana, porém com  um  toque diferente e todo  especial. E  descobri  que  o  povo  americano  tem  coisas  muito  mais  bonitas  para se  mostrar  além  de  armas e cookies. Percebi  que  a Arte é  uma virtude que está presente dentro  de cada ser humano, e que aqueles  que conseguem trazê-la  à luz  exterior  e mostrar sua beleza ao mundo  são  seres  privilegiados.

Ainda conversamos  com  alguns  dos  artesãos  e foram  conversas  bem  interessantes. Esses artistas  tem  uma visão  bem diferente da  maioria;  são  pessoas  críticas em  relação  a postura do  governo  e extremamante conscientes do  que  se passa ao  redor  do  mundo. Um  deles sabia coisas sobre  a  produção  de  energia  do Brasil que eu  nào  fazia a mínima idéia !

Esse passeio  serviu para eu  ver que ainda existem pessoas  conscientes,  bacanas e  bonitas aqui,  e também  para  eu  parar de ficar julgando  e generalizando  o povo  americano. Tenho  certeza que muito  além  dos que expuseram  seus  trabalhos daquela  feira,  existem  milhares de pessoas  assim, fazendo  arte silenciosamente  em  suas casas  e assim  fazendo  sua parte  na construção  de uma América melhor.

Coisas esquisitas  que os americanos fazem - II

July 4th in Baton Rouge

Fui assitir  às comemorações do  dia  da   independência  dos EUA  aqui  em  Baton Rouge. O local   foi  à  beira do Rio Mississipi,  onde está  ancorado os USS Kidd, um navio  usado  na  segunda guerra mundial. No  mesmo  lugar fica um  memorial  do  navio com um  museu,  mas não  visitei. A  vista é muito  bacana (veja as votos do  Mississipi nos posts abaixo)  mas o  dia não  estava lá  muito  claro. Quando era umas 6 da tarde,  começou o  espetáculo:  Primeiro,  dois caças F-15 sobrevoaram  o  local  do  navio, simulando  um  ataque aéreo. Atá  aí  tudo  bem,  afinal  não  é  todo  dia  que a gente  vê dois  supersônicos acima de nossas cabeças. Mas  foi  a única vez  que eles passaram, depois vieram  uns  aviõezinhos  do  tipo  que se usava na  segunda guerra e passaram várias vezes  por cima do navio,  que começou  a  dar uns  tiros de canhão  como  se estivesse atacando  os  aviões. Estes soltavam  fumaça com  que atingidos, e algumas  bombas explodiam  no  rio. Durou  cerca de 15 minutos  e  depois a multidão  aplaude. Essa  é  a  maneira Batonrougrana de comemorar o  July 4th...

 

Coisas esquisitas  que   os americanos  fazem - I

Logo  que  cheguei  aqui  já  começou  o  choque  cultural,  como  era de se  esperar. Em  uma  das primeiras  vezes  que  fui  ao walmart (aqui  essa cadeia monopoliza, é a   mais  barata  disparado), estava passando  as  compras  no  caixa  quando  a  funcionária  derrubou  um  galão  de água no  chão.  Veio  o pessoal  para limpar, e para meu  espanto, com uma  vassoura. Eu  pensei: que diabos  essa  mulher vai  fazer com  uma  vassoura?  Calmamente  ela  abriu  umas  duas  embalagens  tipo  bisnaga, com  bocal, e derrubou o conteúdo na água caída no  chão: era  areia !!!!  Daí  entendi  o porquê  da  vassoura. Tudo  isso  porque eles não  têm  o  hábito  de usar rodo  nem  pano  de chão  aqui. Aliás,  americano  tem  ojeriza  a botar  as  preciosas  mãos na água ou  em  algum  pano. Nem  pensar! Eles  não  usam  pano de chão  nem  rodo,  usam  o  mop, que é  tipo  um  esfregão,  e  geralmente  vem  com  um dispositivo  que  retira a água suja . Mas  essa  da  areia  eu  fiquei  pasma. dá pra imaginar  uma  coisa  dessas, secar água com  areia  e depois  varrer ? Só  americano  mesmo. 

 

               Paisagens Invernísticas  de  Baton Rouge

 

Eessa  foto do lago,  estilo Monet (huahuahua,  que pretensão) tirei  do  carro  em  movimento (leia-se: tremida).  Mas dá pra ter uma idéia  de como  é  bacana  o  lugar,  ainda mais no  fim  da tarde.

Essa cidade pode não  ser  uma das 100  mais  bonitas cidades do  mundo, mas  tem  uns lagos interessantes,  algumas construções  bonitas  no downtowne  o Campus  da LSU é bem  bacana também. Mas  o  que  mais chama atenção  são  as cores  do  inverno  no  Pôr do sol. Como  não  ando  tendo  muito  saco nem  tempo  para  escrever aqui,  vou  colocar  algumas  fotos  bacanas que tenho  tirado  por  aí.

esse é  o  playground do Nicholson,  o  residencial  do  campus onde moro. Essa  vista é  a que tenho  dentro  do  meu  quarto no  fim  da tarde. gosto  dos raios  desol  batendo  no brinquedo.

Foto  de  Rafael Andrade  (meu  digníssimo) ,  pôr do  sol  sobre o rio  mississipi visto  do alto  do edfício  Shaw  Center of Arts,  no downtown de Baton  Rouge.

Ano Novo na América do Norte

Basicamente a diferença  é  que  aqui  onde estou  o  ano  começou quatro  horas depois do  que no  Brasil.  O Natal, o  primeiro  que passo  longe da Mamãe , foi  familiar. O Rafa fez um  peru que ficou  uma delícia,  regado  a vinho tinto,  farofa  e  de sobremesa  o  panetone  português que a mãe dele ensinou.  Fiz também  uma pasta de grão  de bico,  o Hommus,  que modéstia a parte, ficou  tão  boa quanto  a das  as mammas libanesas. No  Reveillón  fomos   para umo Restaurante que fica na cobertura de um prédio. Tem  uma vista bacana lá mas  infelizmente estava uma super neblina londrina e nao  teve fogos,  ou se teve ninguém  viu. Para não  decepcionar coloco  uma foto de fogos de um  outro  dia, tirada do  mesmo  local.

É  engraçado  que aqui  ninguém  se veste de branco  pra passagem  de ano,  a única tradição  (que é  bem  legal,  por sinal)  é  beijar  alguém, se não  você tem  azar no  amor o  resto  do  ano. Depois fomos para um  bar em  frente ao prédio, estava divertido.

Senti  falta dos  rojões no Brasil,  do  samba e de ver na TV o  Reveillón em  Copacabana. Senti  falta também  de ver a São Silvestre e  de ir  ver a muvuca na Paulista na  falta  de coisa melhor pra fazer. Passei  tantos Reveillóns  em  praias  bacanas e desertas ou  em  montanhas  mágicas,  agora estou  eu  aqui  do  outro  lado  do  mundo vendo  o  Mississipi  atrás atrás  de uma  cortina de bruma. Vai  entender essa  vida.

Coisas  que  os brasileiros gostariam  de  saber, mas não  têm  a quem  perguntar - Parte I

P. A comida nos EUA é  ruim  mesmo ?

R. Sim, mas  pode ser boa. A comida ruim aqui é  muito  barata, portanto  mais  acessível.  É possível  comprar dois PETs grandes de refrigerante por 1 dólar, assim como um pacote de cookies pelo mesmo preço. Os hambúrgueres são baratos no Mc donalds,  e pizza também  é  acessível.  Basicamente o  que faz a comida daqui  ser tão ruim  éo  fato  dela ser pouco  saudável, além  do  gosto muito  homogêneo em quase tudo. O grande problema da comida aqui  são  os  molhos: Qualquer carne,  galinha  ou porco  tem  um  molho  Barbecue acompanhando,  e sempre com  um  gosto  doce. As saladas  também,  sempre vêm  temperadas  com  um  molho  bem  doce  e  gorduroso, tipo  Ranch. Oura coisa que me  impressiona é  que aqui não existe salgadinho tipo coxinha,  risoles,  pão  de queijo,  enroladinho,  etc. Se vc vai  numa Cafeterie, por exemplo,  vc só encontra Bagel,  Muffins e Donuts para comer com  seu  café  ou  chá. Dá  pra entender pprque os americanos  têm  tanto problerma de obesidade. Ainda bem  que  costumamos cozinhar em  casa,  mesmo porque comer na rua é  muito  caro,  além  de pouco  saudável. E  quanto  mais  saudável  a comida,  mais  cara. Aqui  tem  um  supermercado  chamado Whole  Foods onde é  possível  encontrar alimentos  orgânicos,  mas é  tudo  caríssimo.

Esse é um  prato  de peito  de frango  com  molho  Barbeque (doce),  feijão (doce!) e salada de batata (Não  doce,  mas com maionese)

Porém, nem  tudo  está  perdido. Aqui na Louisiana  eles têm  uma comida típica  muito  gostosa, a Jambalaya,  parecida com  o  arroz de carreteiro do Rio  Grande do Sul,  mas leva carne de galinha e algumas linguiças,  junto  com o termpero Cajun próprio  daqui. É um  prato  muito  gostoso,  apesar de ser apimentado  demais para meu  gosto. Eles têm  aqui  também o Gumbo, uma  espécie  de  cozido  de várias carnes (eu  nunca provei) e já comi  um  feijão  branco  que estava  bem  bacana. Também   gostam  muito  de quiabo (que se chama Okra aqui)  e Crawfish,  um  tipo  de lagostim que eu  também  nunca experimentei. Mas dizem que a comida da Louisiana é  uma das melhores  do  país.

Essa é uma típica Jambalaya, que eles servem  nessa embalagem  de alumínio em  festas  populares  e lugares onde tem comida grátis, como  algumas vezes  encontrei  na LSU

 

 

Fim das aulas

Hoje foi  o último  dia de aulas aqui na LSU. Oficialmente a semana que vem é  dedicada aos  exames finais,  mas alguns  professores  já anteciparam  pra essa  semana,  como o professor de Teoria. Minha classe teve uma prova dividida em  duas partes,  uma na quarta e outra  hoje,  e quem  não se sair bem  ainda tem  uma segunda chance de fazer o  exame final  na segunda que vem. O bom de se morar no  primeiro  mundo  é o  acesso  a certos avanços tecnológicos em áreas  nunca antes oferecidas no  Brasil,  com  em educação (pelo  menos não  na USP). O professor  já corrigiu  as provas e hoje mesmo  botou o  resultado  online, assim quem  quiser refazer o  exame  tem o  final  de semana para rever a matéria. Eu  felizmente  me safei  dessa pois tirei  83% (equivale a conceito B). Para quem  estava com  F no  começo  do  semestre até que me recuperei  bem. Ufa !!! viver sob essa pressão  não  é fácil, ainda mais pra quem já está cansado  de frequentar bancos de faculdades como  eu.

Hoje também  foi  o último  dia da  orquestra da LSU,  na verdade essa semana só tivemos  2 ensaios  voltados aos estudantes de regência, e olha que nem  eram  os estudantes  de  Regência - eram  os que fazem aula como minor, ou  seja,  não  é  o  curso  principal da pessoa. Estudantes d Regência  da USP,  babem e morram  de inveja e de raiva. Sim, a orquestra da universidade  daqui  serve como  laboratório  aos estudantes. Lemos uma série de peças  e a'te que foi  divertido,  todo  mundo em  clima de fim-de-ano-se-aproximando-  que-bom-que-vou-voltar-pro-meu-país/estado. Eu  e o   Rafa vamos ficar por  aqui, mesmo  porque nossa grana não  dá para as passagens. Vai  ser a primeira vez que passo  o  Natal  longe de casa e da famíliapor outro  lado  vai  ser a primeira vez que passo  o  Natal no  Hemisfério  Norte e  com o Rafa, que agora é  minha família. Mas isso tambem é assunto  pra outro  post,  vou  ficando  por  aqui.

 

Este é  o  naipe de cellos na Orquestra da LSU. Eu estou  de faixa  no  cabelo,  pra quem  ainda não me conhece

Recomecei  esse blog quase um  ano  depois de ter começado e 7 meses depois de ter postado  a última vez. É tanta coisa nova e diferente acontecendo  que eu  ia ter que postar todo  dia pra tirar o  atraso,  mas como  sei  que isso  não  vai  acontecer,  vou colocando posts aleatoriamente. Essa  foto  aí de baixo,  do  post anterior, foi  tirada no  dia que o  Rafael,  meu  marido, recebeu  a câmera digital  que ele  finalmente comprou. Ficamos fazendo  testes em  alguns  pontos da  LSU ( a universidade que estudo). Esse local é a entrada  para o subsolo  de um  dos  prédios  mais famosos, o Hatcher Hall. É lá que fica o escritório  de estudantes internacionais e lá também  que tem  algumas aulas de música.  É um  prédio  bem  bonito  por fora, bem  antigo  também.  Eu adoro  a vista desse local,  essas bananeiras me lembram  o Brasil. Três vezes  por semana eu  faço  esse caminho  e estaciono  minha bike aí perto dessa escada para ir á  minha aula de teoria.

De volta, com cara nova

 

Depois  um  longo  e tenebroso  inverno  resolvi  voltar a postar nesse blog, incentivada pelo  fim  do  ano  chegando e  vários blogs legais que tenho  visto  por aí. Infelizmente não  vou mais poder postar tanto  sobre cinema, uma vez que tenho  visto filmes raramente. Esse era um  hábito  de uma cinéfila morando  em São Paulo a poucas quadras da Avenida Paulista. Hoje em  dia,  morando em Baton Rouge, nos EUA (Louisiana), sem  carro  e sem  opções de filmes bons nos cinemas daqui, só de vez em  quando  vejo uns filmes no International  Cultural Center da  Universidade daqui.  Mas  tem  tantas coisas diferentes que vou falar um  pouco  de como  é  viver no sul  EUA.

A vida é um milagre

Filme do iugoslavo Emir Kusturica começa  parecendo  ser um mosaico  de vários fragmentos de histórias e vai  delineando-se   em torno  de uma história de amor no  momento  em que estoura a guerra na Bósnia. O filme tem vários momentos surreais e é carregado nas  cores e na dinâmica das cenas com um  tom descaradamente felliniano. Começa com um carteiro se deparando com uma mula atravessada na linha ferroviária em construção. Essa mula irá nortear o filme todo, simbolizando a força do amor perante a energia da destruição.

O tal carteiro então anuncia ao povoado que os ursos irão tomar conta do território, outra metáfora para a iminente guerra. Em meio á ensaios da banda local, festas ao melhor estilo balcânico e esquetes completamente nonsense a guerra chega e a história começa a ter um enredo mais coerente.

Luka, o personagem principal, um engenheiro a princípio encarregado da construção da estrada de ferro que tornar-se-ia uma ponte entre o turismo das regiões circunvizinhas e posteriormente nomeado pelo comando de guerra guardião  dessa mesma linha, impedindo a  passagem  dos inimigos, vê o horror se instalar na sua terra e em sua vida privada com a inocência e o  otimismo  de um garoto nascido em meio ao sofrimento, e que sabe que  o milagre da vida se faz a cada instante, seja na transformação  de um ovo em um ser vivo, seja no  nascimento  do amor em meio às estratégias de guerrilha  e surgido  dentro  da  solidão  advinda do abandono familiar.

É um filme que faz pensar na dor e na beleza de viver...

 

 

Desde que Otar partiu

Um filme francês dirigido por Julie Bertucelli que estréia aqui seu primeiro filme de ficção.
Conta a história de três gerações de mulheres vivendo na Geórgia, a matriarca Eka (protagonizada pela excelente atriz Ester Gorintin), sua filha Marina e sua neta Ada, uma jovem ansiosa por novas experiências de vida. Eka vive à espera das cartas e telefonemas que seu filho Otar, um médico que foi viver de operário na França lhe envia de tempos em tempos. Chegam notícias de Paris para Marina e Ada sobre Otar e elas têm que decidir como contar à mãe.
É um filme muito bonito que trata em primeiro plano das relações familiares e humanas, do eterno conflito de gerações. Em uma situação mais geral mostra a nós ocidentais habituados aos modus vivendi do capitalismo, com suas vantagens e desvantagens, um pequeno panorama do que é a vida em uma ex-república soviética.


Quando o filme começa temos impressão que se trata de um filme da época dos anos 60. As máquinas são antigas, os automóveis, verdadeiras caixas de latão retorcido, tudo tem um certo ar de mofo. Nos surpreendemos em ver que é um filme recente e que as pessoas ainda vivam assim em alguma parte do mundo dito civilizado. Os serviços públicos são precários, falta água, o telefone não funciona, o correio é extremamente moroso e burocrático. O desemprego é generalizado, o trabalho informal cresce (alguma semelhança?) e os empregos oficiais têm salários miseráveis, haja vista a decisão de Otar em trabalhar de operário na França, renunciando à sua profissão.
Embora o assunto seja pouco abordado no cinema uma vez que os países recém saídos do regime socialista têm uma produção cinematográfica incipiente, em parte explicada pela situação caótica de adaptação pela qual estão passando, esta questão mereceria uma atenção maior dos países ocidentais. Não vemos nos jornais como vivem os órfãos do comunismo. Recentemente eu vi na Mostra Internacional um filme sobre os catadores de lixo na Polônia e os novos mendigos do “capitalismo libertador”.

 
O mundo ocidental fecha os olhos para essa situação incômoda e prefere voltar a atenção aos eternos conflitos do Oriente Médio. O bloco comunista se não vivia bem antes, pior agora. O que vemos com esses filmes são países passando por uma situação social caótica e desalentadora. Os idosos e as pessoas de meia idade já não têm suas necessidades básicas de saúde e infra-estrutura asseguradas pelo Estado, uma vez que têm que competir em um novo mercado de trabalho regido por códigos que desconhecem. Por outro lado esse mesmo mercado se aproveita da falta de experiência e competitividade da população jovem, vivendo uma realidade com a qual estão se deparando pela primeira vez, sem o background das gerações anteriores, e impõe as regras do capitalismo selvagem, explorando a mão de obra barata e outra atrocidades que conhecemos bem. Daí o êxodo populacional e a explosão dos conflitos étnico-sociais.

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A partir daqui vou comentar sobre o desenrolar do filme e se você é daqueles pretende assistir sem estragar a surpresa (embora ela não seja um ponto crucial na trama e sim o que vem a partir dela) não leia por favor.

A notícia que chega de Paris para a filha e neta de Eka é que seu filho sofreu um acidente de trabalho (caiu de um andaime) e morreu. Mãe e filha ficam sem saber como dar a notícia à velha senhora, que vive contando os intervalos entre cartas e telefonemas que recebe dele. Resolvem então manter a farsa e continuar escrevendo cartas como se fosse o filho. O ponto crucial nessa relação é a questão ética: Estão certas de poupar a mãe do sofrimento do filho morto mantendo uma mentira, uma ilusão? Num certo momento Ada questiona sua mãe sobre o porquê dessa decisão, Uma cena forte de exposição dos demônios de cada um.
No fim do filme Eka resolve ir a Paris visitar o filho. Marina e Ada a acompanham, já de passagem comprada e com visto obtido, sem desfazer a mentira. Ela finalmente descobre por si própria o ocorrido e o que se segue é a grande surpresa do filme, a reação dela diante do fato. Ela sai grandiosa e dá um exemplo às suas descendentes. Uma lição de vida, de sabedoria, de humanidade. Eka nos ensina como passar pela vida nobremente e o quanto a experiência e idade são fundamentais na formação do caráter da pessoa.

Frases de Machado - II

" O cancro é indiferente às virtudes do sujeito; quando rói, rói; roer é o seu  ofício" ( Memórias  póstumas de Brás Cubas)

"A onça mata o novilho porque o raciocínio  da onça é que ela deve viver, e se o novilho é tenro tanto melhor: eis o estatuto universal "(Ibidem)




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