You Tube Bloqueado devido à ação favorecendo Daniela Cicarelli
Publiquei esse post no site http://www.boicoteacicarelli.com e o reproduzo aqui. Convido a todos entrarem no site e apoiarem o boicote.
Cicarelli merece uma ação pública, mais que boicote, por se expôr a esse absurdo de ser flagrada na praia: Uma pessoa pública, apresentadora e ícone de milhares de crianças e adolescentes no Brasil, deveria ter mais responsabilidade no que se permite fazer em público. Merecia não só perder o emprego na MTV como de todos os outros anunciantes que deveriam preservar sua imagem contra essa pessoa sem o menor senso de discernimento dos seus atos. Lugar de fazer sexo é qualquer um, menos em uma praia cheia de gente e crianças e ao alcance de qualquer pessoa com uma simples câmera caseira.
E esse juiz deveria ser processado por ter dado um ganho de causa a uma irrsponsável dessas e assim privar um país inteiro de acessar uma fonte inesgotável de boa informação, livre dos conhecidos controles da mídia ao público: o You Tube. Um site totalmente democrático, onde a informação circula sem censura e ganha poder e repecurssão no boca-a-boca, sem influência dos gigantes da comunicação de massa. Isso está me cheirando a abuso de poder e conchavo da mídia brasileira para tentar minimizar os efeitos e poder devastadores do Youtube, que tem tudo para se tornar o maior veículo de comunicação de massa do século. Ou seja, esse buraco é muuuuito mais embaixo do que a genitália da Cicarelli. Abaixo a censura. Abaixo a opressão dos detentores da informação. Abre o olho Brasil ,esse filme não acaba nunca ?!
Coisas que só acontecem na Louisiana
Outro dia estávamos em um ônibus indo ao Mall de Louisiana e encontramos um colega brasileiro que estava indo ao supermercado. Conversa vai conversa vem, o cara, que não tinha muita idéia do caminho, acabou passando do ponto onde deveria descer. Ele foi conferir com a motorista (lá é super comum mulheres dirigirem ônibus) e realmente tinha se equivocado. Sem saber que fazer, ele foi tranqüilizado pela gentil condutora do veículo, que simplesmente ligou do celular para o motorista do ônibus que vinha vindo em sentido contrário e quando os dois veículos se encontraram, nosos amigo desceu do ônibus e pegou o outro para voltar ao supermercado. Também mais de uma vez o Rafael chegou ao ponto e o ônibus, que havia chegado minutos antes do horário marcado, estava lá parado, esperando por ele. Esse é o jeito cool de ser dos trabalhadores da Louisiana. Parece cidadezinha do interior do Ceará...

Este é exatamente o ônibus da linha que pegamos, que passa dentro da LSU e vai até o Mall of Louisiana. Essa pilastra atrás é um dos portais da universidade
Coisas bonitas (e surpreendentes!) que os americanos fazem
Não é só de esquisitice que vive o povo dessa terra. Volta e meia algo surpreendente acontece e vemos que pessoas bacanas exixtem em qualquer lugar do mundo. Apesar da primavera já ter acabado faz tempo, queria contar um pouco do que acontece por aqui nessa época do ano. Não sei como é no resto do país, mas aqui no sul acontecem vários festivais : De música, gastronomia, artes, flores, etc. Tivemos a oportunidade de ir em um festival chamado Fest for All, aqui em Baton Rouge mesmo. Esse foi um festival dedicado à artes e música. Tinha uns 5 palcos tocando estilos diferentes : Jazz, Blues (nascido nessa cidade, segundo a lenda), Cajun e Zydeco (dois estilos típicos da Louisiana), baladas e Rock'n'roll, claro. E o que me surpreendeu foi uma exposição de barracas mostrando o mais puro artesanato que se faz nesse país, de norte a sul. Havia barracas representando quase todos os estados, com os mais variados produtos à venda, desde bijuteria até cerâmica, passando por roupas, quadros, comida, decoração, brinquedos, tudo que se pode fazer artesanalmente. Eu, que achava que tudo nesse país era Made in China
, fiquei abismada. Me senti naquelas feirinhas de bairro de São Paulo, como a da Pompéia e da Vila Mariana, porém com um toque diferente e todo especial. E descobri que o povo americano tem coisas muito mais bonitas para se mostrar além de armas e cookies. Percebi que a Arte é uma virtude que está presente dentro de cada ser humano, e que aqueles que conseguem trazê-la à luz exterior e mostrar sua beleza ao mundo são seres privilegiados.
Ainda conversamos com alguns dos artesãos e foram conversas bem interessantes. Esses artistas tem uma visão bem diferente da maioria; são pessoas críticas em relação a postura do governo e extremamante conscientes do que se passa ao redor do mundo. Um deles sabia coisas sobre a produção de energia do Brasil que eu nào fazia a mínima idéia !
Esse passeio serviu para eu ver que ainda existem pessoas conscientes, bacanas e bonitas aqui, e também para eu parar de ficar julgando e generalizando o povo americano. Tenho certeza que muito além dos que expuseram seus trabalhos daquela feira, existem milhares de pessoas assim, fazendo arte silenciosamente em suas casas e assim fazendo sua parte na construção de uma América melhor.




Coisas esquisitas que os americanos fazem - II
July 4th in Baton Rouge

Fui assitir às comemorações do dia da independência dos EUA aqui em Baton Rouge. O local foi à beira do Rio Mississipi, onde está ancorado os USS Kidd, um navio usado na segunda guerra mundial. No mesmo lugar fica um memorial do navio com um museu, mas não visitei. A vista é muito bacana (veja as votos do Mississipi nos posts abaixo) mas o dia não estava lá muito claro. Quando era umas 6 da tarde, começou o espetáculo: Primeiro, dois caças F-15 sobrevoaram o local do navio, simulando um ataque aéreo. Atá aí tudo bem, afinal não é todo dia que a gente vê dois supersônicos acima de nossas cabeças. Mas foi a única vez que eles passaram, depois vieram uns aviõezinhos do tipo que se usava na segunda guerra e passaram várias vezes por cima do navio, que começou a dar uns tiros de canhão como se estivesse atacando os aviões. Estes soltavam fumaça com que atingidos, e algumas bombas explodiam no rio. Durou cerca de 15 minutos e depois a multidão aplaude. Essa é a maneira Batonrougrana de comemorar o July 4th...


Coisas esquisitas que os americanos fazem - I

Logo que cheguei aqui já começou o choque cultural, como era de se esperar. Em uma das primeiras vezes que fui ao walmart (aqui essa cadeia monopoliza, é a mais barata disparado), estava passando as compras no caixa quando a funcionária derrubou um galão de água no chão. Veio o pessoal para limpar, e para meu espanto, com uma vassoura. Eu pensei: que diabos essa mulher vai fazer com uma vassoura? Calmamente ela abriu umas duas embalagens tipo bisnaga, com bocal, e derrubou o conteúdo na água caída no chão: era areia !!!! Daí entendi o porquê da vassoura. Tudo isso porque eles não têm o hábito de usar rodo nem pano de chão aqui. Aliás, americano tem ojeriza a botar as preciosas mãos na água ou em algum pano. Nem pensar! Eles não usam pano de chão nem rodo, usam o mop, que é tipo um esfregão, e geralmente vem com um dispositivo que retira a água suja . Mas essa da areia eu fiquei pasma. dá pra imaginar uma coisa dessas, secar água com areia e depois varrer ? Só americano mesmo.
Paisagens Invernísticas de Baton Rouge

Eessa foto do lago, estilo Monet (huahuahua, que pretensão) tirei do carro em movimento (leia-se: tremida). Mas dá pra ter uma idéia de como é bacana o lugar, ainda mais no fim da tarde.
Essa cidade pode não ser uma das 100 mais bonitas cidades do mundo, mas tem uns lagos interessantes, algumas construções bonitas no downtowne o Campus da LSU é bem bacana também. Mas o que mais chama atenção são as cores do inverno no Pôr do sol. Como não ando tendo muito saco nem tempo para escrever aqui, vou colocar algumas fotos bacanas que tenho tirado por aí.

esse é o playground do Nicholson, o residencial do campus onde moro. Essa vista é a que tenho dentro do meu quarto no fim da tarde. gosto dos raios desol batendo no brinquedo.

Foto de Rafael Andrade (meu digníssimo) , pôr do sol sobre o rio mississipi visto do alto do edfício Shaw Center of Arts, no downtown de Baton Rouge.
Ano Novo na América do Norte
Basicamente a diferença é que aqui onde estou o ano começou quatro horas depois do que no Brasil. O Natal, o primeiro que passo longe da Mamãe
, foi familiar. O Rafa fez um peru que ficou uma delícia, regado a vinho tinto, farofa e de sobremesa o panetone português que a mãe dele ensinou. Fiz também uma pasta de grão de bico, o Hommus, que modéstia a parte, ficou tão boa quanto a das as mammas libanesas. No Reveillón fomos para umo Restaurante que fica na cobertura de um prédio. Tem uma vista bacana lá mas infelizmente estava uma super neblina londrina e nao teve fogos, ou se teve ninguém viu. Para não decepcionar coloco uma foto de fogos de um outro dia, tirada do mesmo local.
É engraçado que aqui ninguém se veste de branco pra passagem de ano, a única tradição (que é bem legal, por sinal) é beijar alguém, se não você tem azar no amor o resto do ano. Depois fomos para um bar em frente ao prédio, estava divertido.
Senti falta dos rojões no Brasil, do samba e de ver na TV o Reveillón em Copacabana. Senti falta também de ver a São Silvestre e de ir ver a muvuca na Paulista na falta de coisa melhor pra fazer. Passei tantos Reveillóns em praias bacanas e desertas ou em montanhas mágicas, agora estou eu aqui do outro lado do mundo vendo o Mississipi atrás atrás de uma cortina de bruma. Vai entender essa vida.



Coisas que os brasileiros gostariam de saber, mas não têm a quem perguntar - Parte I
P. A comida nos EUA é ruim mesmo ?
R. Sim, mas pode ser boa. A comida ruim aqui é muito barata, portanto mais acessível. É possível comprar dois PETs grandes de refrigerante por 1 dólar, assim como um pacote de cookies pelo mesmo preço. Os hambúrgueres são baratos no Mc donalds, e pizza também é acessível. Basicamente o que faz a comida daqui ser tão ruim éo fato dela ser pouco saudável, além do gosto muito homogêneo em quase tudo. O grande problema da comida aqui são os molhos: Qualquer carne, galinha ou porco tem um molho Barbecue acompanhando, e sempre com um gosto doce. As saladas também, sempre vêm temperadas com um molho bem doce e gorduroso, tipo Ranch. Oura coisa que me impressiona é que aqui não existe salgadinho tipo coxinha, risoles, pão de queijo, enroladinho, etc. Se vc vai numa Cafeterie, por exemplo, vc só encontra Bagel, Muffins e Donuts para comer com seu café ou chá. Dá pra entender pprque os americanos têm tanto problerma de obesidade. Ainda bem que costumamos cozinhar em casa, mesmo porque comer na rua é muito caro, além de pouco saudável. E quanto mais saudável a comida, mais cara. Aqui tem um supermercado chamado Whole Foods onde é possível encontrar alimentos orgânicos, mas é tudo caríssimo.

Esse é um prato de peito de frango com molho Barbeque (doce), feijão (doce!) e salada de batata (Não doce, mas com maionese)
Porém, nem tudo está perdido. Aqui na Louisiana eles têm uma comida típica muito gostosa, a Jambalaya, parecida com o arroz de carreteiro do Rio Grande do Sul, mas leva carne de galinha e algumas linguiças, junto com o termpero Cajun próprio daqui. É um prato muito gostoso, apesar de ser apimentado demais para meu gosto. Eles têm aqui também o Gumbo, uma espécie de cozido de várias carnes (eu nunca provei) e já comi um feijão branco que estava bem bacana. Também gostam muito de quiabo (que se chama Okra aqui) e Crawfish, um tipo de lagostim que eu também nunca experimentei. Mas dizem que a comida da Louisiana é uma das melhores do país.

Essa é uma típica Jambalaya, que eles servem nessa embalagem de alumínio em festas populares e lugares onde tem comida grátis, como algumas vezes encontrei na LSU
Hoje foi o último dia de aulas aqui na LSU. Oficialmente a semana que vem é dedicada aos exames finais, mas alguns professores já anteciparam pra essa semana, como o professor de Teoria. Minha classe teve uma prova dividida em duas partes, uma na quarta e outra hoje, e quem não se sair bem ainda tem uma segunda chance de fazer o exame final na segunda que vem. O bom de se morar no primeiro mundo é o acesso a certos avanços tecnológicos em áreas nunca antes oferecidas no Brasil, com em educação (pelo menos não na USP). O professor já corrigiu as provas e hoje mesmo botou o resultado online, assim quem quiser refazer o exame tem o final de semana para rever a matéria. Eu felizmente me safei dessa pois tirei 83% (equivale a conceito B). Para quem estava com F no começo do semestre até que me recuperei bem. Ufa !!! viver sob essa pressão não é fácil, ainda mais pra quem já está cansado de frequentar bancos de faculdades como eu.
Hoje também foi o último dia da orquestra da LSU, na verdade essa semana só tivemos 2 ensaios voltados aos estudantes de regência, e olha que nem eram os estudantes de Regência - eram os que fazem aula como minor, ou seja, não é o curso principal da pessoa. Estudantes d Regência da USP, babem e morram de inveja e de raiva. Sim, a orquestra da universidade daqui serve como laboratório aos estudantes. Lemos uma série de peças e a'te que foi divertido, todo mundo em clima de fim-de-ano-se-aproximando- que-bom-que-vou-voltar-pro-meu-país/estado. Eu e o Rafa vamos ficar por aqui, mesmo porque nossa grana não dá para as passagens. Vai ser a primeira vez que passo o Natal longe de casa e da família
por outro lado vai ser a primeira vez que passo o Natal no Hemisfério Norte e com o Rafa, que agora é minha família
. Mas isso tambem é assunto pra outro post, vou ficando por aqui.

Este é o naipe de cellos na Orquestra da LSU. Eu estou de faixa no cabelo, pra quem ainda não me conhece![]()
Recomecei esse blog quase um ano depois de ter começado e 7 meses depois de ter postado a última vez. É tanta coisa nova e diferente acontecendo que eu ia ter que postar todo dia pra tirar o atraso, mas como sei que isso não vai acontecer, vou colocando posts aleatoriamente. Essa foto aí de baixo, do post anterior, foi tirada no dia que o Rafael, meu marido, recebeu a câmera digital que ele finalmente comprou. Ficamos fazendo testes em alguns pontos da LSU ( a universidade que estudo). Esse local é a entrada para o subsolo de um dos prédios mais famosos, o Hatcher Hall. É lá que fica o escritório de estudantes internacionais e lá também que tem algumas aulas de música. É um prédio bem bonito por fora, bem antigo também. Eu adoro a vista desse local, essas bananeiras me lembram o Brasil. Três vezes por semana eu faço esse caminho e estaciono minha bike aí perto dessa escada para ir á minha aula de teoria.

Depois um longo e tenebroso inverno resolvi voltar a postar nesse blog, incentivada pelo fim do ano chegando e vários blogs legais que tenho visto por aí. Infelizmente não vou mais poder postar tanto sobre cinema, uma vez que tenho visto filmes raramente. Esse era um hábito de uma cinéfila morando em São Paulo a poucas quadras da Avenida Paulista. Hoje em dia, morando em Baton Rouge, nos EUA (Louisiana), sem carro e sem opções de filmes bons nos cinemas daqui, só de vez em quando vejo uns filmes no International Cultural Center da Universidade daqui. Mas tem tantas coisas diferentes que vou falar um pouco de como é viver no sul EUA.

Filme do iugoslavo Emir Kusturica começa parecendo ser um mosaico de vários fragmentos de histórias e vai delineando-se em torno de uma história de amor no momento em que estoura a guerra na Bósnia. O filme tem vários momentos surreais e é carregado nas cores e na dinâmica das cenas com um tom descaradamente felliniano. Começa com um carteiro se deparando com uma mula atravessada na linha ferroviária em construção. Essa mula irá nortear o filme todo, simbolizando a força do amor perante a energia da destruição.
O tal carteiro então anuncia ao povoado que os ursos irão tomar conta do território, outra metáfora para a iminente guerra. Em meio á ensaios da banda local, festas ao melhor estilo balcânico e esquetes completamente nonsense a guerra chega e a história começa a ter um enredo mais coerente. 
Luka, o personagem principal, um engenheiro a princípio encarregado da construção da estrada de ferro que tornar-se-ia uma ponte entre o turismo das regiões circunvizinhas e posteriormente nomeado pelo comando de guerra guardião dessa mesma linha, impedindo a passagem dos inimigos, vê o horror se instalar na sua terra e em sua vida privada com a inocência e o otimismo de um garoto nascido em meio ao sofrimento, e que sabe que o milagre da vida se faz a cada instante, seja na transformação de um ovo em um ser vivo, seja no nascimento do amor em meio às estratégias de guerrilha e surgido dentro da solidão advinda do abandono familiar.
É um filme que faz pensar na dor e na beleza de viver...


Um filme francês dirigido por Julie Bertucelli que estréia aqui seu primeiro filme de ficção.
Conta a história de três gerações de mulheres vivendo na Geórgia, a matriarca Eka (protagonizada pela excelente atriz Ester Gorintin), sua filha Marina e sua neta Ada, uma jovem ansiosa por novas experiências de vida. Eka vive à espera das cartas e telefonemas que seu filho Otar, um médico que foi viver de operário na França lhe envia de tempos em tempos. Chegam notícias de Paris para Marina e Ada sobre Otar e elas têm que decidir como contar à mãe.
É um filme muito bonito que trata em primeiro plano das relações familiares e humanas, do eterno conflito de gerações. Em uma situação mais geral mostra a nós ocidentais habituados aos modus vivendi do capitalismo, com suas vantagens e desvantagens, um pequeno panorama do que é a vida em uma ex-república soviética.

Quando o filme começa temos impressão que se trata de um filme da época dos anos 60. As máquinas são antigas, os automóveis, verdadeiras caixas de latão retorcido, tudo tem um certo ar de mofo. Nos surpreendemos em ver que é um filme recente e que as pessoas ainda vivam assim em alguma parte do mundo dito civilizado. Os serviços públicos são precários, falta água, o telefone não funciona, o correio é extremamente moroso e burocrático. O desemprego é generalizado, o trabalho informal cresce (alguma semelhança?) e os empregos oficiais têm salários miseráveis, haja vista a decisão de Otar em trabalhar de operário na França, renunciando à sua profissão.
Embora o assunto seja pouco abordado no cinema uma vez que os países recém saídos do regime socialista têm uma produção cinematográfica incipiente, em parte explicada pela situação caótica de adaptação pela qual estão passando, esta questão mereceria uma atenção maior dos países ocidentais. Não vemos nos jornais como vivem os órfãos do comunismo. Recentemente eu vi na Mostra Internacional um filme sobre os catadores de lixo na Polônia e os novos mendigos do “capitalismo libertador”.
O mundo ocidental fecha os olhos para essa situação incômoda e prefere voltar a atenção aos eternos conflitos do Oriente Médio. O bloco comunista se não vivia bem antes, pior agora. O que vemos com esses filmes são países passando por uma situação social caótica e desalentadora. Os idosos e as pessoas de meia idade já não têm suas necessidades básicas de saúde e infra-estrutura asseguradas pelo Estado, uma vez que têm que competir em um novo mercado de trabalho regido por códigos que desconhecem. Por outro lado esse mesmo mercado se aproveita da falta de experiência e competitividade da população jovem, vivendo uma realidade com a qual estão se deparando pela primeira vez, sem o background das gerações anteriores, e impõe as regras do capitalismo selvagem, explorando a mão de obra barata e outra atrocidades que conhecemos bem. Daí o êxodo populacional e a explosão dos conflitos étnico-sociais.
A partir daqui vou comentar sobre o desenrolar do filme e se você é daqueles pretende assistir sem estragar a surpresa (embora ela não seja um ponto crucial na trama e sim o que vem a partir dela) não leia por favor.
A notícia que chega de Paris para a filha e neta de Eka é que seu filho sofreu um acidente de trabalho (caiu de um andaime) e morreu. Mãe e filha ficam sem saber como dar a notícia à velha senhora, que vive contando os intervalos entre cartas e telefonemas que recebe dele. Resolvem então manter a farsa e continuar escrevendo cartas como se fosse o filho. O ponto crucial nessa relação é a questão ética: Estão certas de poupar a mãe do sofrimento do filho morto mantendo uma mentira, uma ilusão? Num certo momento Ada questiona sua mãe sobre o porquê dessa decisão, Uma cena forte de exposição dos demônios de cada um.
No fim do filme Eka resolve ir a Paris visitar o filho. Marina e Ada a acompanham, já de passagem comprada e com visto obtido, sem desfazer a mentira. Ela finalmente descobre por si própria o ocorrido e o que se segue é a grande surpresa do filme, a reação dela diante do fato. Ela sai grandiosa e dá um exemplo às suas descendentes. Uma lição de vida, de sabedoria, de humanidade. Eka nos ensina como passar pela vida nobremente e o quanto a experiência e idade são fundamentais na formação do caráter da pessoa. 

" O cancro é indiferente às virtudes do sujeito; quando rói, rói; roer é o seu ofício" ( Memórias póstumas de Brás Cubas)

"A onça mata o novilho porque o raciocínio da onça é que ela deve viver, e se o novilho é tenro tanto melhor: eis o estatuto universal "(Ibidem)
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